Eu descobri o quanto é bom amar e ser amada

Me apaixonei. Não é algo que você queira que aconteça, principalmente quando é uma pessoa decidida, difícil, complicada e cabeça dura. Ele veio na minha vida do nada, e com a mesma rapidez ele se instalou no meu peito e ali fez morada. Eu sempre controlei meus sentimentos, nunca me deixei pensar que era além da amizade. Eu pensava nele a todo o tempo, mas preferia dizer que era meu amigo e pensar que era apenas um carinho inexplicável; um amor grandioso por quem eu mantinha um vínculo diário fortíssimo.

O vi ficar com outras, sair e beber. Já ouvi as histórias de ex e sexo. Sempre senti aquela pontada; aquela dor. Dizia que era apenas ciúme bobo de amizade. Mas que amizade é essa que você se imagina com a pessoa beijando, fazendo amor, ficando juntos na beira da praia ou até na cama dele enquanto ele dorme?

Eu o via de uma forma tão intocável que nunca vi nenhum motivo pelo qual ele pudesse ter algum interesse sobre mim. Sempre tivemos curiosidade um do outro, mas nada além disso. Não com ele. Acho. Eu conseguia ver meu fogo por dentro, controladíssimo. Por causa dele, passei a descobrir um outro lado meu. Um lado que eu sabia que existia, mas nunca tinha achado a pessoa que pudesse despertar: meu lado praia, verde, meu lado calmaria, meu lado poesia. Me lembro do dia que fui ao show de um cantor que me lembrava ele, e o quanto saia feliz pelo estacionamento, sentindo aquele vento gelado da madrugada no rosto, me sentindo completa que tinha sentido um lado adormecido. Mal eu sabia que era paixão: paixão por ele.

Eu continuei a minha vida, ele a dele. Bom dia, boa tarde, boa noite. Segui espalhando minha felicidade com o nome dele para tudo e todos, e repetindo para os mesmos: “é meu amigo. nunca que vou ter algo com ele (risos). Ele não é pra isso.”

É aquela pessoa que tu faz questão de se ajeitar, se consertar, mas não que tu faça por obrigação. É da tua natureza, da tua essência querer ser o que ela precisa, porque, no fundo, você quer que ela precise de você.

Você sabe que se sente inseguro perto de quem ama. E não é questão de confiança, não, nem perto disso. É aquela insegurança de reações, e o medo de perder aquela pessoa a qualquer hora da vida, o medo do futuro com ela.

O foda foi quando aquele primeiro beijo aconteceu. Caralho, o beijo. Não mantenho o foco nisso, mas sabe quando você beija aquela pessoa que, no fundo, você sabe que quer pertencer a ela? O problema é que eu já pertencia a ele, eu queria que ele pertencesse a mim também.

O problema é que não parou no beijo. Lembra da morada que ele fez? Continuou construindo. E acho que descobriu algo que a cabeça dura também fazia questão de não deixar ele ver. Descobri que também é inseguro. Vi uma necessidade maior do que já via antes em dizer: “Eu te amo”.

Acabei descobrindo que ele podia amar também.

Autora: Júlia Gonçalves

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