É coisa demais para alguém suportar sorrindo

Ela sorri de uma forma que convence que tem dentro de si toda a felicidade da raça humana. Ela ri de uma maneira que não resta dúvidas sobre um suposto coração que vivi saltando de alegria. Ela gargalha como se nunca tivesse chorado e nem tivesse qualquer traço de tristeza riscando sua alma supostamente sem manchas. Ela aparenta estar bem porque só anda de bom humor contando historias engraçadas sobre si mesma e tropeçando nas piadas que encontra pelo caminho.

Ela só ri, sorri demais, ela gargalha alto que assusta quem está desapercebido, e ela parece ser feliz ao extremo, sem problema nenhum na vida, mas a verdade é que tamanha felicidade não passa de uma farsa bem encenada por uma menina atriz que esconde suas emoções. Ela mora dentro de uma fortaleza levantada em volta de seu coração, porque cansou de ser vulnerável e acabar tendo seu bem mais precioso roubado por quem promete amor.

E quem a julgará por isso? Se fechar não é autopreservação contra quem fere com seu toque? Porque não se sente mais nada depois que o furacão passa e destrói tudo rapidamente, transformando o que era puro num belo montão de ruínas. E sua frieza foi o que restou depois da tempestade. E ela chove vez ou outra, então suas lágrimas a fazem boiar noites inteiras agarrada com seu travesseiro sujo de rímel.

Porque é coisa demais para alguém suportar sorrindo. É muito sentimento, é muita lembrança ruim, é muito arrependimento e é muita vontade de voltar atrás para mudar tudo que lhe aconteceu tragicamente. Quando ela só queria ser amada e receber na mesma intensidade tudo que havia dado por anos, só queria ter a retribuição dos seus afetos, ser cuidado como merece e consolada quando precisasse, e não era pedir muito logo dele que no passado lhe prometeu um futuro tão lindo.

Ela acreditou novamente naquele antigo amor e se deixou levar pela correnteza que a afogou antes que ela percebesse que estava afundando. Foi tão rápido e as marcas ainda fazem parte da sua mente, ela ainda pensa naquilo, ainda dói, ainda mata tudo que é calma e paz. É triste viver rodeada de lembranças, é pior ainda correr e elas virem atrás, mas não há mais nada a ser feito a não aceitar que aconteceu e que deve seguir em frente mesmo que seus pés se recusem a sair do lugar.

Além disso, ela precisa olhar para seu erro e reconhecê-lo como um ato cometido em um momento de fraqueza, e depois olhar para si mesma e ver que esse erro não a define, por isso ela precisa ir para o mais longe possível de qualquer traço do passado. Porque foi depois disso que tudo mudou, ela estava indo bem e num dia tudo desmoronou, e desde então nada mais ficou certo, as coisas ficam dando errado toda hora.

Mas ainda há um jeito de consertar as partes quebradas e ficar quase que como nova. Não será algo que apague o que houve, mas é um ato libertador. Ela precisa buscar os braços de Deus e encontrar Nele as respostas que precisa para continuar, apesar de ela já ter tentado e não ter conseguido ouvir nada a não ser o zumbido do seu ouvido no silêncio. Ela orou, ela pediu e nada foi feito, nada aconteceu, mesmo que tenha havido momentos aonde chegou a sentir aquele leve ardor no coração e vontade de recomeçar.

Todavia, ultimamente ela só se enche de dúvidas e abandonou todas as suas certezas, porque se afastou tanto de Deus por se sentir indigna que não conseguiu aceitar o seu grande amor. Ela vive como se Jesus tivesse morrido na cruz por todos e menos por ela, ela anda por aí como se o Espirito Santo não quisesse mais levar as orações dela até Deus, porque ela desistiu de uma forma que dói quando a vemos tão perdida assim buscando nos lugares errados o que nunca irá encontrar.

Mesmo que ainda doa, mesmo que não tenha as respostas, mesmo que não se sinta o bastante, mesmo que a solidão na multidão seja constante, volte. Não corra para longe, não se mova para trás, mas volte e se veja como uma pessoa pequena demais para não depender de Deus, Ele te quer de volta, Ele te ama tanto que os céus quase choraram hoje de tanta saudade que Ele sente da sua voz. Volta assim mesmo quebrada e com medo do futuro, mas volta.

 

Escrito por: Tatielle Katluryn
Autora do blog www.elajafoiverao.ga
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Tatielle Katluryn

Tatielle Katluryn, 20 anos, com sangue Maranhense e coração pertencente ao céu. Sou cristã e estudante, apaixonada por livros do séc. XIX e Astronomia. E Deus me chamou para falar aquilo que Ele quer dizer as pessoas, para levar a paz a corações tão ansiosos quanto o meu. É tão linda a forma que Ele me cuida enquanto me usa para fazer sua vontade e só tenho a agradecer por tamanho amor que me consertou sem eu merecer.

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