Como se eu fosse única para ele no mundo [parte 2/3]

Tatielle Katluryn
jan 11, 2017
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Ok. Foi só um olhar para os mais realistas, mas para mim foi como uma bomba atômica explodindo no centro do meu recanto particular. Era a prova que a solidão não era minha única companhia, que havia mais, e nesses bilhões de seres humanos sem humanidade ele me viu, se prendeu em mim agarrando-me como um salva-vidas e desejou que eu o tirasse dali para um lugar mais vazio.

Passados os dias, afinal de contas nos falamos. Começou de forma bem comum, um oi, um tudo bem, um até amanhã. E hoje não consigo pensar nele sem rir. Não consigo pensar nele sem sentir saudade. Não consigo pensar nele sem querer estar junto. Se eu pudesse estaria lá sentada no sofá sem prestar atenção no filme e rindo alto de alguma bobagem que ele disse. Era só uma questão de tempo e eu nem sabia. Foi algo quase instantâneo, num dia falamos de música meio que do nada, e no outro de livros, no outro de antigos relacionamentos, e já me vi o querendo para o resto da vida.

É uma coisa idiota para se dizer, mas quando se senti essa ligação forte é quase impossível não querer mais e sempre mais. Parecia que ele era a resposta das minhas orações, uma sombra no deserto, um calor no inverno, um sorriso no funeral. A conversa se alongou por horas a fio e o assunto não acabava. E nós mal nos conhecíamos, mas parecia que éramos amigos de infância. Nada dele parecia tão desconhecido, nada de mim era tão secreto que ele não fosse capaz de descobrir sozinho.

Eu dei as pistas, o mapa e a recompensa e ele foi atrás por conta própria. Sorria sem parar, parecia sentir o mesmo que eu, ou até mais. Eu me aquietava para parecer menos entusiasmada e tentava em vão me conter só para não mostrar tudo que sentia. Era uma guerra debaixo do mar e a superfície estava calma. Era furacão numa caixa de papelão e fora dela só a brisa leve. Então eu tive medo. Estava tudo acontecendo rápido demais, tão rápido que nem me dei conta de me proteger, meu coração perdeu os muros e minha alma acabou se libertando. Quando algo bom nos aparece nem sempre questionamos os motivos e seus antecedentes. Parecia tão certo que era pecado perguntar o porquê.

Ele não deu motivos para eu desconfiar, mas quando a esmola é muita eu como uma boa santa desconfiei. Era demais para mim, simples assim. Mas era tarde para ignorar e dizer para deixar para depois. Eu senti a dor da perda sem ter sequer perdido. E senti também a decepção sem ter sido machucada. Tudo estava fora dos padrões do mundo real, já que príncipe encantado não existe e nem nada desse tipo conto de fadas, eu só acreditava no final infeliz e nas maldições das poções mágicas.

Quis logo dar um fim como se eu fosse capaz de terminar algo que eu nem fazia ideia da onde tinha começado. Só que era impossível demais para acreditar que em mim havia algo para ser amado, algo para fazer alguém ficar e dizer que não iria nunca me deixar. Não tinha como ir em frente, meu coração se quebrou sozinho, eu me joguei no poço e lá no fundo me aconcheguei. Estava frio, sem luz, voz ou violão, e cada palavra dita por ele voltava a zumbir nos meus ouvidos como uma canção de ninar que me fez dormir.

Ele não achou justo, reclamou, bateu pé e me puxou pelo braço pedindo explicação. Eu disse que estava sem tempo e que tinha que voltar cedo para casa. Tudo por medo, tudo por não acreditar que alguém poderia me amar.

[Continua…]

Leia também

 1 – Ele me viu quando eu era invisível para o mundo

3 – Inesperadamente ele se tornou meu mundo

Escrito por: Tatielle Katluryn

Autora do blog www.elajafoiverao.ga

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