Uma concha para se proteger

O caracol não é um animal de grande beleza ou da qual eu gostaria de ter contato, mas confesso que enquanto pensava em alguns acontecimentos que me causaram e causam desconforto, pude perceber o quanto tenho em comum com ele. Os caracóis são pequenos, lentos e têm uma concha que é capaz de protegê-los. Ao se sentirem em perigo, esses pequenos animais se encolhem e se escondem em suas conchas, saindo novamente apenas quando não há mais sinal de risco para eles. Em todas as características que pensei e citei desses pequenos bichinhos, tenho para mim que possuo cada uma delas.

Pequena

Essa característica não se trata do fato de eu ter um metro e meio de altura. Quando afirmo que sou pequena, quero dizer primeiramente em questões espirituais e eternas. Não existe possibilidade alguma de que eu tenha, ainda como filha e serva, medidas próximas às “medidas criadas” para Deus. Não é possível de minha mente entender por completo a grandiosidade de Deus e não há nada em mim que possa ser comparado a Ele. Assim como Paulo, não devo me vangloriar, pois não há nada em mim para ser vangloriado. O fato de que não posso nem mesmo salvar a mim mesma do pecado é uma irrefutável prova de que não há nada de grandioso em mim por si só, senão Aquele que a tudo conhece e tem sob seu poder.

Lenta

Minha lentidão, em certo sentido, pode ser fruto da sabedoria, como Lucas escreveu: “… seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (v.19) Mas aqui quero dizê-la como um desastroso defeito, principalmente no que se refere às coisas cotidianas, eternas e por mim amadas. Tenho muitos arrependimentos causados por minha lentidão, momentos que exigiam sabedoria da minha parte para decisões e ações, mas que foram deixados para depois, depois e depois. Não é impossível de imaginar o quão ruim é deixar o eterno e o amado para depois; algumas marcas frutos disso desaparecem com o tempo, outras não posso dizer o mesmo.

Travo uma luta com minha lentidão para que isso não se repita, mas admito que em muitas delas o cômodo é apenas deixar para depois. Mas há um perigo real nisso. No que diz respeito ao eterno e ao amado, quanto mais é deixado para depois, mais arrependimentos crescem. Duramente, isso é aprendido, até chegar o momento de dizer as palavras que Billy Graham sabiamente dizia: “Ó Deus, perdoe-me, ajuda-me, socorra-me!”. Com isso, peço a Deus humildemente que me ajude a ser lenta para o falar e o irar, mas não para buscá-Lo e glorificá-Lo.

Uma concha para se proteger

Essa é a característica que mais tenho em comum com os caracóis, sendo a primeira em que pensei. Não tenho o hábito de expor minhas lutas, sejam emocionais, mentais ou espirituais. Creio que sabedoria é poder dizer aquilo que as lutas me ensinam, mas não é muito prudente expor detalhes de cada uma delas – exceto para aqueles que são próximos. E é aqui que os caracóis são um exemplo. Esses pequenos bichinhos se escondem em suas conchas ao menor sinal de perigo. Não sou diferente, tendo a agir da mesma forma. Quando algo ocorre, me causando desânimo, angústia e certa preocupação, eu me retraio em minha própria concha. Milhares de perguntas e dúvidas surgem em minha mente e meu coração, grande parte das vezes sem resposta, se abate por conta disso. Como um caracol que se sente ameaçado, eu me escondo. Ele não se expoe a um perigo maior do que possa lidar, mas se retrai para dentro de sua concha ao menor sinal dele. É instintivo e natural. Pode soar um tanto covarde, mas, na verdade, a concha é uma “reviravolta”.

Quando me sinto ameaçada e desanimada, me escondo em Deus, isso me mostra dependência dEle – não significa, é claro, que Ele não me ensinará a passar por provações ou me tratará como uma filha mimada. No livro de Josué conta a história de um homem temente a Deus e líder do povo de Israel. Josué havia liderado inúmeras guerras, mas não entrava em nenhuma delas sem que se retirasse para estar sozinho com Deus e ouvir suas ordens. Como homem, creio que Josué sentiu medo e preocupação. Ele não fugiu de suas lutas, mas se recolhia para sua concha, para ouvir atentamente a voz de Deus e apenas após ouvi-la cumprir com suas instruções. Esse é o grande X da questão.

Eu havia dito que me retraio em minha própria concha, mas devo me corrigir: Deus é minha concha. Eu me retraio para Ele. Deus me recebe em sua presença. Minha fragilidade me faz reconhecer que só há um lugar para onde posso ir.

Na vida cristã, caracóis não são apenas caracóis. Conchas não são apenas conchas.

A confiança e espera em Deus requer vontade para suportar as dúvidas

Sei que esperar em Deus requer vontade para suportar a incerteza, levar no interior uma pergunta sem resposta, trazendo o coração diante de Deus quando esse pensamento invade nossa mente. É fácil convencer-se a si mesma sobre uma decisão que não é duradora; às vezes isso é mais fácil que esperar pacientemente.”

Elisabeth Elliot era um belo exemplo da mulher de Provérbios, feminina, sábia e piedosa, e apesar das aflições que viveu ao longo de sua vida, sua fé e confiança em Deus fizeram dela um exemplo e amostra da Graça. Esse pequeno texto foi escrito por essa amada mulher em seu livro Paixão e Pureza, e tem um grande significado para mim. Elliot fala acerca da espera em Deus, mas também acerca da confiança nEle, e creio que essa seja a razão para que eu goste tanto dessa citação de seu livro.

Admiro Elliot por ter confiado em Deus com tamanha dedicação. Quando olho para sua vida, percebo que há muito o que ser melhorado na minha. Devo admitir que foram muitos os momentos em que minha confiança em Deus foi falha e que ao invés de agir como uma mulher sábia e piedosa, agi como uma mulher medrosa, temerosa e ansiosa. Houve um período de minha vida que as preocupações e os medos conduziram minhas ações. Eu ansiava constantemente por respostas, meus receios e medos me faziam buscá-las de forma precipitada, e ainda que as tivesse, algo surgia para me fazer duvidar se eram verdadeiras. Minhas emoções ditavam minhas ações e por um longo tempo permaneci dessa forma. Me sentia temerosa com o que poderia acontecer e angustiada com minhas próprias especulações do pior. Minha confiança em Deus estava sendo falha, mas Ele, em sua infinita misericórdia, dia após dia me deu a capacidade para lidar com minhas dúvidas, até mesmo com aquelas que não obtive respostas.

Quando percebi a maneira como havia agido, me senti envergonhada e arrependida. Que tipo de mulher eu estava sendo, agindo de forma receosa, temerosa, controladora e preocupada de forma excessiva? Onde estava minha confiança no caráter de Deus? Minha confiança em seu cuidado paternal? Recentemente, li algo escrito por Elyse Fitzpatrick que tenho como uma resposta:

Quando eu me preocupo com o que acontecerá com a minha vida, o que eu realmente estou dizendo é: ‘Deus, o Senhor não pode lidar com isso. Ou o Senhor é muito fraco, desinteressado, não amoroso, ou não é esperto o suficiente para cuidar da minha vida. Eu tenho que dedicar toda a minha atenção para pôr essa situação em ordem por conta própria.”

São palavras duras, no entanto, no momento em que as li pude me ver em cada uma delas. A preocupação com minhas dúvidas e com o que poderia ou não acontecer, me angustiavam. Eu não estava confiando em Deus o suficiente e em seu cuidado. Por diversas vezes agi por conta própria, de forma tola e imprudente, sem perceber o quão exausta e angustiada minha alma estava. Sem perceber que a piedade e o amor era o que deveria ser evidenciado em minhas ações.

Apesar de minhas falhas, minha busca por confiança em Deus se intensificou. Há respostas que não tive e não sei se um dia as terei. Talvez, eu conviva com as incertezas para o resto da vida. Minha luta contra minhas preocupações, medos e ansiedades não acabaram, minha natureza caída tente a cometer pecados e falhas. Mas enquanto minha confiança estiver em Deus, não devo temer. O Apóstolo Paulo diz:

Não andeis ansiosos por coisa alguma.” Filipenses 4:6

Não devo ser temerosa ou ansiosa, controladora ou medrosa, não é essa a mulher que quero me tornar e não é essa mulher que busco ser. Assim como Elisabeth, busco por um coração piedoso e de virtudes, que não negligencia sua confiança em Deus, mas se curva diante dEle. Elliot “esperava em Deus suportando a incerteza, levando no interior uma pergunta sem resposta, mas trazendo seu coração diante de Deus quando esse pensamento invadia sua mente”.

Oh, amada Elisabeth, que Deus me conceda um coração como o seu.

Nessa brincadeira de pouco demonstrar, muitos não vão mais sentir.

Vivemos na era na qual não podemos demonstrar o quanto nos importamos. Entramos em uma guerra que não é nossa. Nunca foi. Não podemos demonstrar, não podemos falar, não podemos sentir. A nossa geração tem um manual para tudo. Vivemos na norma culta do robotizado onde tudo tem uma regra específica. Essa geração se importa mais com os padrões do que a própria felicidade. O meu problema é que eu não sei jogar com essas regras. Sou admiradora de antigos valores que hoje não tem mais importância.

O olho no olho perdeu espaço. O calor das palavras não tem nenhum valor. Demonstrar interesse ou sentimentos é visto como algo ultrapassado. Vivemos na era em que pessoas viraram máquinas. E que máquinas estão se tornando pessoas. Tudo está invertido. A vida parece perdida. As pessoas andam sem rumo, sem calor, sem alma, sem tudo. O que eu estou fazendo nesse mundo de pessoas frias?

Eu quero viver sem ter que seguir essas regras. Precisamos viver sem obedecer um manual. A vida é um sopro. Não vale a pena fugir do que faz a vida tão incrível. Não podemos nos privar de aproveitar todas as oportunidades que apareçam. Quero viver por inteiro. Sentir por inteiro. Demonstrar por inteiro. Amar por inteiro. Acertar por inteiro. Errar por inteiro. Aprender. E fazer tudo de novo.

Quero correr estupidamente atrás da felicidade. Quero sonhar. Quero me decepcionar. Quero recomeçar. Quero vida.
Essa geração do pouco me importo, do pouco sinto, do pouco demonstro não está com nada. Vocês ficam aí entre curtidas, fotos compartilhadas e falsos sentimentos. Enquanto isso, a vida passa. Estamos perdendo o tempo de sermos felizes. Vamos nos permitir viver, simplesmente. Sem rótulos, sem julgamentos, sem manuais e sem regras. A vida é breve demais!

Autora: Larissa Marques

Se cair, levante mais forte!

Ela estava sentada em sua penteadeira, escrevendo alguns versos, enquanto ouvia sua música predileta e ao se olhar no espelho, percebeu que apesar da pouca idade, já havia passado por tantas coisas. Tomou um gole de café, fechou os olhos, respirou fundo e se expressou, dizendo: “Não quero mais sofrer, não quero mais deixar as pessoas tornarem os meus dias cinzas, não permito mais alguém entrar na minha vida para tirar o meu sossego e a paz do meu coração.

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